XIV
Como uma voz de fonte que cessasse
(E uns para os outros nossos vãos olhares
Se admiraram), para além dos meus palmares
De sonho, a voz que do meu tédio nasce
Parou… Apareceu já sem disfarce
De música longÃnqua, asas nos ares,
O mistério silente como os mares,
Quando morreu o vento e a calma pasce…
A paisagem longÃnqua só existe
Para haver nela um silêncio em descida
Para o mistério, silêncio a que a hora assiste…
E, perto ou longe, grande lago mudo,
O mundo, o informe mundo onde há a vida…
E Deus, a Grande Ogiva ao fim de tudo…
Fernando Pessoa - Passos da Cruz
s. d.
«Passos da Cruz». Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ãtica, 1942 (15ª ed. 1995). - 59.
1ª publ. in Centauro , nº 1. Lisboa: Out.-Dez. 1916.





















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