A poesia assinada por Fernando Pessoa “ortônimo” ou “ele mesmo” pode ser dividida em três partes: poesias escritas em língua inglesa, poesia lírica e poesia histórico nacionalista.

Devido educação recebida em Durban, África do Sul com ênfase na língua inglesa, e a leitura de Byron, Shelley, Keats, Poe e, sobretudo, Shakespeare; os primeiros poemas de Fernando Pessoa, como não podia deixar de ser, foram escritos em Inglês.
A sua produção poética em língua inglesa é composta por: English Poems, I, II, III, IV, Antinons e 35 Sonets, nelas se revela ocultista, amante do mistério e abúlico, ou seja, com a vontade diminuída ou suprimida.

A poesia lírica escrita por Fernando Pessoa está reunida sob os títulos de “Cancioneiro” e “Quadras ao gosto Popular”.
Apesar do próprio Fernando Pessoa afirmar que “Cancioneiro (ou outro título igualmente inexpressivo) reuniria vários dos muitos poemas soltos que tenho, e que são por natureza inclassificáveis salvo de essa maneira inexpressiva.”, o título dessa obra não é, de forma alguma, “inexpressivo”, porque o seu entendimento global está relacionado diretamente ao título.
Cancioneiro é a designação dada ao conjunto poesias líricas medievais, portuguesas ou espanholas. Como se sabe, as poesias medievais, também conhecidas como cantigas trovadorescas, possuem uma ampla relação com a música, o canto e a dança. Essa relação é tão forte que o professor Antônio Carlos Pinho, em seu ensaio “A poesia medieval portuguesa” disse que essas cantigas são “verdadeiras letras de música”.
As poesias de Fernando Pessoa reunidas sob o título de “Cancioneiro“, além de prestar uma homenagem a tradição lírica lusitana de preservar os seus mais antigos textos literários, também se relacionam com as cantigas medievais, pois o ritmo e a métrica dos versos deixam esses poemas tão harmoniosos que eles se transformam também em “verdadeiras letras de música”. Exemplos disso são os vários poemas de Fernando Pessoa gravados por grandes músicos, brasileiros e portugueses:
Gilberto Gil gravou o poema “Prece”, Zé Ramalho - “Bandarra”, e Raimundo Fagner -”Qualquer Música”.
Outras características importantes em “O Cancioneiro” são a forte influência do Simbolismo é as reflexões sobre a arte e o fazer poético.
O poema “Autopsicografia”, reproduzido acima, apesar de sua aparente simplicidade, é, sem sombra de dúvidas, o texto mais discutido de Fernando Pessoa. Nele, as reflexões sobre a “criação artística” são levadas as últimas conseqüências. Isso porque, ao afirmar que “O poeta é um fingidor”, Fernando Pessoa não restringe-se apenas ao poeta. Na verdade ele se refere ao artista em geral, que cria “um mundo fictício para representar o mundo real”. Pablo Picasso ao dizer que “a arte é uma mentira que revela a verdade” reforça o que foi dito.
Em “O Cancioneiro“, além dessas características, merece especial destaque o interseccionismo, que é, na realidade, uma teoria elaborada por Fernando Pessoa.
Para explicá-la, nada melhor do que as palavras do próprio Pessoa: “a arte que queira representar bem a realidade terá de dar através duma representação simultânea da paisagem interior e da paisagem exterior. Resulta que terá de tentar uma intersecção de duas paisagens”
Abaixo temos um fragmento do poema “Hora Absurda”, que contém um bom exemplo de intersecionismo:
“Hoje o céu é pesado como a idéia de nunca chegar a um porto…”
Repare que o poeta constrói o verso com dois espaços, ou melhor, duas paisagens distintas: uma exterior, caracterizada pelo “céu pesado” e outra interior, caracterizada pela “idéia de nunca chegar a um porto”. No entanto, a compreensão global da frase não permite que esses espaços sejam compreendidos de forma autônoma, ocorrendo então uma intersecção dessas paisagens, que formam um “quadro” único, refletindo o “céu pesado” e também o estado interior do eu-lírico.
Quadras ao gosto popular
Nos dois últimos anos antes de morrer Fernando Pessoa cultivou as “Quadras Portuguesas”. Essa modalidade de “quadras” tem como principal característica o esquema métrico, composto por redondilhas maiores também conhecido como “medida velha”.
A Medida velha, ou seja, versos redondilhos maiores (sete sílabas) e menores (cinco sílabas) foi um esquema de composição muito usado pelos poetas Medievais (Trovadorismo e Humanismo), antes que Sá de Miranda introduzisse, em 1527, a “medida nova”, versos decassílabos (dez sílabas métricas).
Tem-se registro de que Fernando Pessoa escreveu mais de 400 quadras, muitas delas não datadas e, devido a sua ordem não cronológica, presume-se que estavam destinadas a formação de um livro. Em 1965 George Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho organizaram e publicaram muitas dessas quadras sob o título de “Quadras ao Gosto Popular”. Em 1997 Luís Prista incrementa a edição de 1965 com mais de 100 quadras e as publica sob o título de “Quadras”. A explicação para esse novo título é que “quadras populares” ou “ao gosto popular” são expressões nunca usadas por Fernando Pessoa.
Não vamos aqui iniciar uma discussão sobre qual o melhor título para esses livros de quadras pois isso não é relevante nesse momento. O importante agora é que, ao escrever quadras com a chamada “medida velha”, Fernando Pessoa, além de mostrar a capacidade de o “velho” fazer-se “novo”, busca “comungar com a alma do povo”, pois retoma as antigas tradições portuguesas, uma vez que as quadras nasceram no meio do povo na era medieval.
Para explicar melhor o porquê da composição das “quadras portuguesas” nada melhor do que as palavras do próprio Fernando Pessoa:
”A quadra é um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma. Da órbita triste do vaso escuro a graça exilada das flores atreve o seu olhar de alegria. Quem faz quadras portuguesas comunga a alma do povo, humildemente de todos nós e errante dentro de si próprio. Ser intensamente patriótico é, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que forma o seu léxico ou a sua gramática - possa orgulhar-se de nós que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando.”
Face a tudo o que foi exposto, pode-se dizer que a poesia lírica escrita por Fernando Pessoa - ele mesmo tem um caráter “Saudosista”, pois retoma as antigas tradições do povo português.

A poesia Histórico Nacionalista escrita por Fernando Pessoa ocorre na obra “Mensagem“, único livro em língua portuguesa publicado em vida pelo poeta. Os poemas dessa obra, estão organizados de forma a compor uma epopéia que traça a história de Portugal, ou seja, um poema longo que tem como tema a grandiosidade e o heroísmo da pátria.
Nessa obra Fernando Pessoa praticamente narra a história de Portugal, desde sua origem, com a lenda de Ulisses, passando pela pré-história, pela formação do reino português, pelo período das grandes navegações, pelas glórias vividas em “Os Lusíadas”, pelo advento do Sebastianismo até chegar ao sonho de que Portugal voltará a ser um grande império.
O próprio Fernando Pessoa classificou esse poema como “um livro de poemas, formando um só poema”. Ele também chegou a cogitar a hipótese de intitular o poema como Portugal, mas desistiu da idéia, provavelmente, por um dos dois motivos abaixo:
- não achar a sua obra à altura do nome da Pátria;
- seu amigo Da Cunha Dias o convenceu de o nome da pátria estava desacredita e prostituído.
O livro Mensagem é dividido em três partes: Brasão, Mar português e O Encoberto.
Na primeira parte é narrada a formação e à história propriamente dita de Portugal. Nela, Fernando Pessoa, toma como base o brasão português, que é representado por sete castelos amarelos, em um campo vermelho e cinco quinas azuis, em um campo branco.
Cada castelo eqüivale a um personagem ligado a formação de Portugal, desde Ulisses, que segundo uma antiga lenda, fundou Lisboa, passando pela pré-história portuguesa, até chegar a D. João I, o mestre de Avis, responsável pelo período das grandes navegações.
As quinas correspondem as figuras ligadas ao período das grandes navegações, são elas: D. Duarte, filho de D. João I, D. Fernando, D. Pedro, D. João e D. Sebastião. Pode-se dizer que na primeira parte temos a base do império Português.
Mar Portuguez, a segunda parte de Mensagem, fala das grandes navegações em que Portugal tornou-se um grande império graças ao domínio do mar. Ainda nessa parte o grande império entra em decadência e, na tentativa de restaurar a grandiosidade da pátria, desaparece, na “última nau”, D. Sebastião, desaparecendo consigo o sonho do “Quinto Império”. Para finalizar essa parte, há o pedido, em forma de “Prece”, para que Portugal torne-se novamente um grande império.
“E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!”
Em O Encoberto, terceira e última parte da obra, o tema é o Sebastianismo e o sonho do “Quinto Império”.





















achei muito interesante o site pois mostra um pouco da vida do Fernando Pessoa ,para quem gosta de poemas,poesias é muito divertido gostei muito e acho legal a forma que o site foi criado!
gabriela barbosa
7th julho, 2007
ola,procuro pela poesia o dominó de Fernando Pessoa,
se vc tiver,por favor envia p o meu e-mail?
mto obrigada,Carol
carol
5th agosto, 2007
Realmente muito interessante.
Fernando Pessoa
9th agosto, 2007
Estou fazendo o trabalho do “coleguinha” e foi muito util
Ricardo Guicho
11th agosto, 2007
eu estava fazendo o meu trabalho que era justamente sobre ele e tudo o que estava no site era perfeito para o meu trabalho, este site é perfeito
Vinicius Barreto
13th outubro, 2007
mano eu num curto muito poesia, acho que os poetas se esconde atrás de palavras complicas…. em fim eu num cada um cada um ……..
fuiiii
eviton
11th junho, 2008
adorei este site, ele servirá para ajudar a muitos que tanto procuram a obra de Fernando Pessoa. voces sao o máximo.
kanimambo.
cassimo cabir
11th agosto, 2008
Fernando Pessoa nao foi apenas poeta,foi um homem sensivel e abstrato!!!
Jussara Souza
23rd agosto, 2008