"Um dia,
lá para o fim do futuro,
alguém escreverá sobre mim um poema,
e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino."

XIV

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra,
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.
Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se vento…

Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos

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1 Comentário to “XIV”

  1. Ai, que leveza, que modéstia nos versos tão lindos!
    É um adorável exercício de prazer ler Pessoa.
    Obrigada, Bill.

    beijos

    Saramar

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