"Um dia,
lá para o fim do futuro,
alguém escreverá sobre mim um poema,
e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino."

A qualquer modo todo escuridão
Eu sou supremo. Sou o Cristo negro.
O que não crê, nem ama — o que só sabe
O mistério tornado carne —.

Há um orgulho atro que me diz
Que sou Deus inconscienciando-me
Para humano; sou mais real que o mundo.
Por isso odeio-lhe a existência enorme,
O seu amontoar de coisas vistas.
Como um santo devoto
Odeio o mundo, porque o que eu sou
E que não sei sentir que sou, conhece-o
Por não real e não ali.
Por isso odeio-o —
Seja eu o destruidor! Seja eu Deus ira!

Primeiro Fausto.
O. C., VI v., 1952, p. 85.
Fernando Pessoa - Poemas Ocultistas

Compartilhe:
  • Digg
  • del.icio.us
  • Furl
  • Ma.gnolia
  • Rec6
  • Reddit
  • Technorati
  • Facebook
  • Live
  • TwitThis
  • YahooMyWeb
  • Google
  • BlinkList
  • Linkter
  • Meneame
  • Netvouz
  • description
  • Smarking
  • Spurl

Deixe seu Comentário