Dos Lloyd Georges da Babil么nia
N茫o reza a hist贸ria nada.
Dos Briands da Ass铆ria ou do Egito,
Dos Trotskys de qualquer col么nia
Grega ou romana j谩 passada,
O nome 茅 morto, inda que escrito.
S贸 o parvo dum poeta, ou um louco
Que fazia filosofia,
Ou um ge么metra maduro,
Sobrevive a esse tanto pouco
Que est谩 l谩 para tr谩s no escuro
E nem a hist贸ria j谩 historia.
脫 grandes homens do Momento!
脫 grandes gl贸rias a ferver
De quem a obscuridade foge!
Aproveitem sem pensamento!
Tratem da fama e do comer,
Que amanh茫 茅 dos loucos de hoje!
脕lvaro de Campos
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Far贸is distantes,
De luz subitamente t茫o acesa,
De noite e aus锚ncia t茫o rapidamente volvida,
Na noite, no conv茅s, que conseq眉锚ncias aflitas!
M谩goa 煤ltima dos despedidos,
Fic莽茫o de pensar…
Far贸is distantes…
Incerteza da vida…
Voltou crescendo a luz acesa avan莽adamente,
No acaso do olhar perdido…
Far贸is distantes…
A vida de nada serve…
Pensar na vida de nada serve…
Pensar de pensar na vida de nada serve…
Vamos para longe e a luz que vem grande vem menos grande.
Far贸is distantes…
脕lvaro de Campos
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Eu, eu mesmo…
Eu, cheio de todos os cansa莽os
Quantos o mundo pode dar. 鈥
Eu…
Afinal tudo, porque tudo 茅 eu,
E at茅 as estrelas, ao que parece,
Me sa铆ram da algibeira para deslumbrar crian莽as…
Que crian莽as n茫o sei…
Eu…
Imperfeito? Inc贸gnito? Divino?
N茫o sei…
Eu…
Tive um passado? Sem d煤vida…
Tenho um presente? Sem d煤vida…
Terei um futuro? Sem d煤vida…
A vida que pare de aqui a pouco…
Mas eu, eu…
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu…
脕lvaro de Campos
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Estou cansado, 茅 claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, n茫o sei:
De nada me serviria sab锚-lo,
Pois o cansa莽o fica na mesma.
A ferida d贸i como d贸i
E n茫o em fun莽茫o da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansa莽o ser s贸 isto 鈥
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de n茫o pensar na alma,
E por cima de tudo uma transpar锚ncia l煤cida
Do entendimento retrospectivo…
E a lux煤ria 煤nica de n茫o ter j谩 esperan莽as?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E h谩 um certo prazer at茅 no cansa莽o que isto nos d谩,
Que afinal a cabe莽a sempre serve para qualquer coisa.
脕lvaro de Campos
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Esta velha ang煤stia,
Esta ang煤stia que trago h谩 s茅culos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em l谩grimas, em grandes imagina莽玫es,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emo莽玫es s煤bitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas n茫o: 茅 este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que…,
Isto.
Um internado num manic么mio 茅, ao menos, algu茅m,
Eu sou um internado num manic么mio sem manic么mio.
Estou doido a frio,
Estou l煤cido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que s茫o loucura
Porque n茫o s茫o sonhos.
Estou assim…
Pobre velha casa da minha inf芒ncia perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que 茅 do teu menino? Est谩 maluco.
Que 茅 de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Est谩 maluco.
Quem de quem fui? Est谩 maluco. Hoje 茅 quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religi茫o qualquer!
Por exemplo, por aquele manipan莽o
Que havia em casa, l谩 nessa, trazido de 脕frica.
Era fei铆ssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se cr锚.
Se eu pudesse crer num manipan莽o qualquer 鈥
J煤piter, Jeov谩, a Humanidade 鈥
Qualquer serviria,
Pois o que 茅 tudo sen茫o o que pensamos de tudo?
Estala, cora莽茫o de vidro pintado!
脕lvaro de Campos
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Um dia, num restaurante, fora do espa莽o e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao mission谩rio da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era 脿 moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter raz茫o, nem num restaurante.
N茫o comi, n茫o pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu n茫o sei, e foi comigo…
(Sei muito bem que na inf芒ncia de toda a gente houve um jardim,
Particular ou p煤blico, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza 茅 de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque 茅 que me trouxeram
Dobrada 脿 moda do Porto fria?
N茫o 茅 prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
N茫o me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
脕lvaro de Campos
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Venho dos lados de Beja.
Vou para o meio de Lisboa.
N茫o trago nada e n茫o acharei nada.
Tenho o cansa莽o antecipado do que n茫o acharei,
E a saudade que sinto n茫o 茅 nem no passado nem no futuro.
Deixo escrita neste livro a imagem do meu des铆gnio morto:
Fui, como ervas, e n茫o me arrancaram.
脕lvaro de Campos
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Um dia, num restaurante, fora do espa莽o e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao mission谩rio da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era 脿 moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter raz茫o, nem num restaurante.
N茫o comi, n茫o pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu n茫o sei, e foi comigo…
(Sei muito bem que na inf芒ncia de toda a gente houve um jardim,
Particular ou p煤blico, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza 茅 de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque 茅 que me trouxeram
Dobrada 脿 moda do Porto fria?
N茫o 茅 prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
N茫o me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
脕lvaro de Campos
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Depus a m谩scara e vi-me ao espelho. 鈥
Era a crian莽a de h谩 quantos anos.
N茫o tinha mudado nada…
脡 essa a vantagem de saber tirar a m谩scara.
脡-se sempre a crian莽a,
O passado que foi
A crian莽a.
Depus a m谩scara, e tornei a p么-la.
Assim 茅 melhor,
Assim sem a m谩scara.
E volto 脿 personalidade como a um t茅rminus de linha.
脕lvaro de Campos
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Na rua cheia de sol vago h谩 casas paradas e gente que anda.
Uma tristeza cheia de pavor esfria-me.
Pressinto um acontecimento do lado de l谩 das frontarias e dos movimentos.
N茫o, n茫o, isso n茫o!
Tudo menos saber o que 茅 o Mist茅rio!
Superf铆cie do Universo, 贸 P谩lpebras Descidas,
N茫o vos ergais nunca!
O olhar da Verdade Final n茫o deve poder suportar-se!
Deixai-me viver sem saber nada, e morrer sem ir saber nada!
A raz茫o de haver ser, a raz茫o de haver seres, de haver tudo,
Deve trazer uma loucura maior que os espa莽os
Entre as almas e entre as estrelas.
N茫o, n茫o, a verdade n茫o! Deixai-me estas casas e esta gente;
Assim mesmo, sem mais nada, estas casas e esta gente…
Que bafo horr铆vel e frio me toca em olhos fechados?
N茫o os quero abrir de viver! 贸 Verdade, esquece-te de mim!
脕lvaro de Campos
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