Sagra, sinistro, a alguns o astro baço.
Seus três anéis irreversÃveis são
A desgraça, a tristeza, a solidão.
Oito luas fatais fitam no espaço.
Este, poeta, Apoio em seu regaço
A Saturno entregou. A plúmbea mão
Lhe ergueu ao alto o aflito coração,
E, erguido, o apertou, sangrando lasso.
Inúteis oito luas da loucura
Quando a cintura trÃplice denota
Solidão e desgraça e amargura!
Mas da noite sem fim um rastro brota,
VestÃgios de maligna formosura:
E a lua, além de Deus, álgida e ignota.
Cancioneiro, Maio, 1930.
Fernando Pessoa - Poemas Ocultistas





















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