Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.





















A própria solidão, a própria incomunicabilidade.
“Porque há S. João onde o festejam”. O que mais me aflige e tortura neste momento não existe para quase toda a humanidade. Ouço indistintos diálogos na rua “de quem não sabe que eu existo”.
Marcos Lopes
26th junho, 2008
Adendo: cheguei a esta página motivado por um e-mail de minha irmã, lamentando que anteontem andou por ruas e não viu traço de noite de São João, tão comum em nossa meninice. Respondi com o poema, acrescentando que onde ela está pelo menos há memória (para ela) de noites de São João. No país em que estou não há S. João, porque não o festejam. Não há sequer memória (para mim) …
Marcos Lopes
26th junho, 2008